Qual o pai ou mãe que nunca se sentiu à beira de um ataque de nervos? Com os cabelos em pé, ou mesmo culpado por pensar “não aguento mais birras, zangas, resistências… Só me apetece estar sozinho, ter tempo para mim, estar sem filhos, marido, mulher, cão, gato ou periquito”.

De onde vem esta vontade por vezes de fugir, de estar sozinho? E o vazio associado à culpa? Uma vergonha que não pode partilhar.

Muitas vezes sentimo-nos cansados, e esquecemo-nos de nós, é frequente. Não nos valorizamos, não sentimos, andamos em piloto automático, ou por outra, talvez andemos a fazer mais do que a sentir.

Fazemos tudo. Cuidar da casa, tratar dos filhos, trabalhar, cuidar da relação, dos desafios dos amigos, fazemos, fazemos, fazemos e onde está o sentir? O saborear? As emoções?

Qual a última vez que sentiu o seu verdadeiro eu? Que olhou para o espelho e disse a si próprio: “Gosto de ti”. Só quando sentimos o eu, conseguimos ser o nós, a família em amor e paz.

O vazio sentido vem da exigência que faz consigo próprio, da luta entre quem é, e aquilo que a sociedade diz que deveria ser. Vem de se afastar do seu verdadeiro eu, e das saudades de ser quem é.

Assim, surgem estas questões:

Como se relaciona consigo próprio? O que realmente gosta de fazer e lhe dá prazer? Quando criança, o que o fazia sorrir? Onde estão os seus sonhos?

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Se passar a sentir, planear e tomar atitudes consistentes em vez de simplesmente fazer, começa a recuperar o seu eu. Com mais força, mais alegria e mais serenidade para a si, para a sua família e para quem o rodeia.

Sentir é cuidar de si, é fazer coisas que goste, é sorrir, descansar, brincar, caminhar, ou seja, “carregar baterias” emocionais. Se gostava em criança de correr, andar de baloiço, escorrega ou bicicleta, provavelmente essas são as coisas que deve fazer para se sentir radiante agora.

Sentindo-se tranquilo, não vai ter vontade de gritar. Muitos adolescentes e crianças partilham comigo o medo que os gritos dos pais lhes provocam. Porquê gritar? Porque estão cansados, esgotados.

Então sem culpa, vamos saber parar e cuidar de nós, o que se traduzirá certamente em menos gritos, menos zangas e muito mais harmonia.

É bom tirar tempo para si, para brincar, fazer exercício, dormir ou até simplesmente respirar. Ao contrário do que possa pensar, é reestabelecedor e faz bem a todos os que o rodeiam

Pais tranquilos e felizes criam filhos confiantes e alegres.

Vamos então tirar tempo para nós, sem culpa, e saborear cada momento.

Bárbara Ramos Dias

Bárbara Ramos Dias

Mãe de 3 filhos, apaixonada pela vida e pelas pessoas. Sou psicóloga clínica há mais de 17 anos, com foco na adolescência e na família. Ponho emoção em tudo o que faço e falo com o coração.
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