A dinâmica das famílias organiza-se segundo as necessidades dos filhos, a escola, as atividades extra-curriculares e a sua própria atividade familiar. As crianças sentem que tudo se deve adaptar à satisfação dos seus desejos, sendo o estabelecimento de limites fundamental à sua estruturação, equilíbrio e maturação psicossocial.

A educação dos filhos é uma tarefa da família, que reflete a sua dinâmica familiar nos diversos ambientes pelos quais os filhos interagem. A percepção desses limites não está apenas vinculada às aquisições físicas que as crianças precisam interiorizar na infância, mas também, ligada ao saber lidar com as frustrações e viver em sociedade. Estes limites começam no centro da família.

Os valores e princípios sociais devem ser transmitidos pela família e servem como uma base sólida para todas as experiências nas diferentes fases de desenvolvimento cognitivo, social afectivo e emocional. A participação dos pais deve ser coerente e estruturada, deve coexistir um equilíbrio familiar, onde não existam divergentes formas de atuação educacional.

Na base de um relacionamento saudável e de confiança, está a ligação afectiva, o amor e o carinho que os filhos recebem dos seus progenitores, que facilitará a aquisição de relacionamentos positivos fora do seu contexto familiar, esta exploração com base na empatia é fulcral para o seu crescimento, permitindo-lhes fazer amigos fora do contexto familiar, estudar, ter uma atividade profissional, viajar e explorar o mundo ao seu redor num modo de confiança e independência.

A imposição de limites, o estabelecimento de regras desde cedo é essencial para o desenvolvimento da criança e a sua organização nas relações sociais, no âmbito do desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo, moral e afectivo. Aplicando essas regras as crianças percepcionam que nem tudo acontece da forma e na hora que pretendem.

Os limites são extremamente importantes para a formação da sua personalidade, possibilitando que a criança desenvolva estratégias para lidar com as frustrações. Quando ocorre falta de limites, a relação familiar pode ficar disfuncional, ocorrendo o excesso de punição, o sentimento de culpa dos pais, originando sofrimento. As birras na infância podem transformar-se, mais tarde, em agressividade, violência ou depressão.

Atualmente as famílias estão a passar por uma crise de mudança de paradigma, onde a passagem da opressão da liberdade que era o modelo de educação anterior, para um modelo de satisfação dos desejos e vontades dos filhos, a fim de compensar a sua ausência. A insegurança dos pais modernos tendem a valorizar os mínimos desejos dos filhos, não contribuindo deste modo para a sua segurança e construção saudável da sua estrutura de personalidade.

No que respeita a regras e imposição de limites há algumas dicas que podem ajudar os pais. Ser específico, não ser vago, deste modo, as crianças compreendem melhor o que se espera delas, p.ex. “Segura a minha mão para atravessar a rua”. Oferecer escolhas, a melhor maneira de entender um limite, passa por uma escolha limitada, ter alguma liberdade de decisão faz com que a criança sinta algum tipo de controlo, reduzindo a sua resistência ao comportamento em causa. p.ex. “Está na hora de vestir, queres escolher a roupa ou preferes que eu faça?”

Ser firme, quando as questões são realmente importantes deverá mostrar-se que haverá uma consequência para o seu não cumprimento, indicar isso com alguma firmeza. As crianças são mais receptivas a ordens afirmativas, por isso é melhor dizer a uma criança o que se deve fazer, do que o que não se deve fazer. O demonstrar que é regra e não um desejo, “eu quero que vás para a cama agora”, pode criar uma luta de poder pessoal entre os pais e os filhos. Uma estratégia melhor será declarar a regra de uma forma impessoal: São 9h30, são horas de dormir e apontar para o relógio.

Explicar o porquê do limite, quando as pessoas entendem o porquê de uma regra, há mais facilidade em que a cumpram, do que quando acham que ela é arbitrária. Compreender a  razão da regra,  ajuda a criança a desenvolver padrões internos de comportamento, ou seja, uma consciência.

O controlo das suas emoções é também importante, pais muito zangados, estão mais propensos a serem verbalmente ou fisicamente abusivos com os seus filhos. A disciplina consiste em ensinar as crianças como se devem comportar e revela-se muito mais eficaz quando se conversa de uma forma calma.

Aquilo que a criança mais precisa, em primeiro lugar é sem dúvida, sentir-se amada e em segundo lugar necessita de alguém que imponha limites à sua vontade fazendo a sentir protegida e segura. As crianças são efetivamente o sorriso do mundo, tendo a particularidade de ecoar o que de melhor existe em nós.

Andreia Estarreja

Andreia Estarreja

Sou psicóloga na área educacional, clínica e criminal há 12 anos, o trabalho com comunidades fez me desenvolver algumas skills muito humanas e de trabalho de proximidade. Docente de psicologia e orientadora de estágios, supervisora clínica e especialista em jovens e adolescentes desafiantes.
Andreia Estarreja

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