A Psicóloga Raquel Martins Ferreira é a nossa primeira convidada de uma série de perfis que iremos lançar no blog do Zenklub, ao longo das próximas semanas.

Conversas descontraídas não só sobre Psicologia e a experiência dos profissionais que atendem no Zenklub, mas também relatos e curiosidades que ajudam a revelar um outro lado desta ciência.

Diria que a sua jornada no mundo da Psicologia começou quando? Sempre quis ser Psicóloga?

Acho que sempre quis ser Psicóloga. Talvez tenha sido uma criança atípica nesse aspecto.

Sempre achei fascinante o comportamento humano e a mente humana. Quando era criança recordo-me de pedir aos meus pais para me levarem ao psicólogo, a vários psicólogos aliás. Queria experimentar vários, para perceber que exercícios é que cada um usava, se eram todos iguais, quais os melhores…

Esta minha curiosidade surgiu da vontade que tinha em querer conhecer-me melhor, superar-me e superar os desafios normais da adolescência, aliada à vontade e gosto em ajudar os outros.

Depois da curiosidade, seguiu-se a formação académica e agora a experiência profissional. Ainda sente a mesma paixão pela psicologia?

Sem dúvida. Com a diferença de que quando comecei, achava que ia mudar o mundo, fazer muitas coisas novas ao mesmo tempo, projectos… Rapidamente percebi que não é bem assim. Hoje entendo que o mundo não anda ao meu ritmo, eu é que tenho de andar ao dele (risos). Vou marcando a diferença com passos mais curtos.

Uma das coisas que mais gosto na minha profissão é a necessidade constante de aprendizagem e inovação. Não existem duas pessoas iguais. Todos temos necessidades diferentes e isso faz com que tenha de personalizar e adaptar os meus exercícios a cada caso.

Se há coisa que não muda, é a procura por resultados rápidos e eficazes, assim como a necessidade de mudança no discurso negativo. De certa forma foi precisamente isso que me fez definir como modelo de referência a Terapia Cognitivo Comportamental e o estudo da Psicologia Positiva. Em duas ou três sessões já se notam enormes melhorias.

Aí está uma vertente da Psicologia que pouca gente conhece: resultados a curto-prazo.

Sem dúvida. Não existem abordagens melhores ou piores, mas sim diferentes. Existem abordagens mais “rápidas” e outras que levam mais tempo. As pessoas devem sempre ao marcar uma consulta perceber se aquele terapeuta é o mais indicado para o seu caso e falar-lhe sobre as suas expectativas nas sessões.

Mas sim, os resultados a curto prazo são possíveis e acontecem. Depende muito também da motivação da pessoa e dos seus objectivos. Mas na maior parte das pessoas que me procuram, os resultados após poucas sessões são muito positivos.

Para quem desconhece a Psicologia por completo: consegue explicar-nos como funcionam as primeiras sessões?

Uma das coisas que digo desde início é que para mim a relação psicólogo-cliente funciona como uma parceria. A dinâmica é um bocado diferente da forma mais tradicional das pessoas “consumirem” medicina. O exemplo clássico de uma pessoa marcar uma consulta, falar dos seus sintomas e o médico prescrever um “remédio”, aqui não se aplica.

Cada profissional terá a sua abordagem, claro, mas falando no meu caso:

As primeiras consultas começam com conversas informais, sem análises, avaliações, ou leituras de comportamentos. Os assuntos evoluem naturalmente, conforme as preferências dos clientes.

Muitos perguntam: “Começo por onde?”. Ao qual respondo sempre “por onde quiser…”. As pessoas contam o que quiserem, quando quiserem. Não é necessário “abrir o jogo todo” para se ver resultados. Essa relação de confiança é algo que se vai construindo com o tempo, passo a passo, sem pressa nem pressões.

Zenklub Portugal

Não temos batas brancas, nem secretárias. Partimos em “pé de igualdade”, num ambiente seguro e informal, onde trabalhamos em parceria para atingirmos os objectivos propostos pelo cliente. Quer ser mais produtivo no trabalho? Ok, fale-nos do seu trabalho… Quer ter uma melhor relação com os seus filhos? Foquemo-nos nisso.

Muitas pessoas acreditam que é preciso contar os mais profundos segredos para que uma consulta de psicologia possa ter um impacto positivo nas suas vidas. Será que conseguimos mostrar aos nossos leitores um exemplo de uma ferramenta que prove o contrário?

Um exemplo de um exercício que gosto muito de aplicar com os meus clientes é a “lei da gratidão”. Para quem não conhece, desafio a experimentar. É simples.

Transformem um recipiente de vidro, como um frasco de polpa de tomate, no frasco do “sou grato”. Nesse frasco, todos os dias, coloquem um papelinho no qual escrevem algo pelo qual são gratos. Pode ser a mais pequena coisa, como aqueles cinco minutos no escritório em que beberam um café ou aqueles raios de sol que entraram pela janela.

Se procurarmos, todos os dias temos algo pelo qual agradecer. No final do ano revisitem todos os papelinhos e iniciem uma nova garrafa.

O nosso cérebro, sendo a espectacular ferramenta que é, transforma-se fisiologicamente à medida que o treinamos. Se nos queixarmos de tudo, as sinapses do nosso cérebro tornam-se autênticas “auto-estradas” do negativo: começamos a privilegiar a identificação de tudo aquilo que não nos agrada, em detrimento daquilo que nos faz feliz.

O contrário também se aplica, e é esse o princípio por detrás deste exercício: se praticarmos a gratidão todos os dias, o nosso cérebro transformar-se-á numa máquina de identificação do positivo, com um enorme impacto na forma como olhamos para o mundo e para o nosso dia-a-dia.

Este é um exercício que peço quase sempre aos meus clientes que façam, e na maioria das vezes eles olham para mim e “torcem” o nariz. Às vezes achamos que estes pequenos exercícios não servem de muito, mas a verdade é que à terceira sessão a primeira coisa que me dizem é “nem imagina, agora dou por mim durante o dia a pensar no que vou escrever, sempre atenta às coisas boas”.

É isto que acontece.

Para terminar: conte-nos uma coisa que poucos Portugueses sabem sobre a Psicologia.

Ui. Essa é difícil (risos). Arriscaria contar o seguinte:

Cada profissional terá o seu perfil de cliente, claro, mas diria que 80% das pessoas que recorrem à psicologia não têm nenhuma patologia clínica grave.

São sim, pessoas que procuram ferramentas e estratégias para superar os desafios que a vida lhes colocou, e que procuram ser a melhor versão de si próprio. Procuram conhecer-se da forma mais íntima possível: Que emoção é esta que estou a sentir? O que é que a origina? O que me faz levantar da cama de manhã? Quais os meus objectivos? O que me fará sentir completo e verdadeiramente feliz? Porque não estou a conseguir lidar com isto agora?..

Diria que qualquer pessoa beneficiaria com uma sessão de Psicologia?

Sem dúvida. Com o profissional certo e usando ferramentas assertivas, toda a gente pode beneficiar imenso de uma experiência destas. Ir a um Psicólogo devia ser visto como ir a um Dentista ou ao Médico de Família. Da mesma forma que cuidamos do nosso corpo, devemos cuidar da nossa mente. Lanço o desafio a toda a gente: procurem conhecer-se melhor.

Estarei à vossa espera no Zenklub.

Raquel Martins Ferreira

Raquel Martins Ferreira

Sou apaixonada pela vida e extremamente grata por fazer o que gosto. Como psicóloga, o meu foco é o desenvolvimento pessoal através do autoconhecimento e da eliminação de crenças limitadoras. Esta é a chave do seu sucesso.
Raquel Martins Ferreira

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