Ao longo das próximas semanas queremos partilhar convosco algumas histórias, experiências e curiosidades, contadas por pessoas que percorrem diferentes caminhos rumo ao mesmo destino: o bem-estar e o desenvolvimento pessoal. Conversas descontraídas sobre Mindfulness, Meditação, Psicologia, Coaching, assim como outras ferramentas, e o impacto que estas tiveram nas suas vidas. A Francisca Brito Pereira, Education Program Manager na Portuguesa Beta-i, é a nossa primeira convidada:

Fala-nos sobre o dia em que decidiste investir no teu bem-estar. O que é que te motivou a experimentar?

Houve uma altura da minha vida em que me senti um pouco perdida a nível profissional. Não encontrava propósito naquilo que fazia e portanto não me sentia muito motivada. Sabia que tinha de mudar. Sentia essa necessidade, mas a verdade é que não sabia exatamente para onde, ou como o iria fazer.

Um dia, em conversa sobre isto com uma amiga, ela recomendou-me uma Psicóloga com quem tinha trabalhado. Experimentei e adorei. Durante três ou quatro meses tive sessões semanais com ela, inclusive através de videochamada quando mais tarde me mudei para o Porto.

Sobre a tua primeira sessão. Quais eram as tuas expectativas?

Sinceramente, acho que já sabia mais ou menos no que é que me ia meter (risos). Já explico porquê:

Quando era mais nova, ouvia o meu irmão – seis anos mais velho que eu – dizer, com toda a certeza do mundo, que queria ser arquiteto. Sempre achei que ia chegar o dia em que eu iria ter tanta certeza quanto ele sobre aquilo que queria fazer.

Esse dia nunca chegou, e a sua ausência alimentou o meu interesse pela área do desenvolvimento pessoal. Queria saber mais sobre o processo de autodescoberta, autoconhecimento.

Por isso quando fui à minha primeira sessão, já sabia mais ou menos com o que contar.

Então já estavas familiarizada com o processo. Mesmo assim, houve alguma coisa que te surpreendeu?

Sabia que ia encontrar alguém imparcial. Sabia também que poderia falar sobre o que eu quisesse, num ambiente seguro e sem julgamentos. Mas confesso que me surpreendeu o quão bom, e quão fácil foi abrir-me perante uma pessoa que não conhecia. Nas nossas vidas tendemos a construir uma imagem à nossa volta que raramente abandonamos, sobretudo perante os nossos amigos ou família. A experiência de “abrir o jogo” e desconstruir essa imagem foi especial.

Surpreendeu-me também a sensação de clareza e esclarecimento que trazia de cada sessão. Nós vivemos muito em piloto automático. Achamos que fazemos as nossas reflexões aqui e ali, mas quando é que realmente paramos e dedicamos uma hora só para pensar na nossa vida? Só para pensar em nós? Muito raramente.

As minhas sessões eram a oportunidade perfeita para parar, desligar e refletir, sem pressas ou julgamentos. Aliás, foi esse ritual que depois despertou o meu interesse na meditação, que hoje faz parte da minha rotina diária.

E em termos de resultados? Surpreendeu-te de alguma forma?

Surpreendeu-me o quão rápido consegui ver pequenas mudanças e chegar a estados mais profundos de clareza. Foi praticamente a partir do dia em que marquei a primeira sessão. Parece que no momento em que tomamos a decisão de investir em nós próprios, ativamos novas formas de pensar e avaliar os nossos dilemas, mesmo que inconscientemente.

Foi também surpreendente ver como as ferramentas que usei para desconstruir as dúvidas que tinha a nível profissional, acabaram por ter uma influência positiva noutras áreas da minha vida. Quando comecei as minhas sessões o meu objetivo era ganhar mais clarividência quanto ao meu percurso profissional, mas acabei por ver resultados noutras áreas da minha vida também.

Para terminar. Houve alguma ferramenta ou exercício que te marcou e que possamos passar a quem nos lê?

Lembro-me de vários, mas houve um que fiz durante o meu programa de Coaching que teve um grande impacto em mim. Não é bem um exercício na sua forma mais tradicional, é mais um exercício de pensamento. Uma forma diferente de pensar:

Desde criança que nos perguntam o que é que queremos “ser” quando crescermos. É curiosa a pergunta, porque espera-se que a resposta surja no formato de uma profissão: Médico? Engenheiro? Bombeiro? Bailarino?

Este formato de resposta é logo à partida limitador, porque reduz tudo aquilo que possamos vir a “ser”, ao exercício de uma profissão. Aquilo que deveríamos procurar no nosso trabalho é o cumprir de um sentido de propósito, de missão. Esse propósito não é encontrado numa profissão per si.

O meu propósito pode ser ajudar os outros, e decido cumpri-lo através da profissão de médico. O meu propósito talvez seja fazer as pessoas rir ou transmitir-lhes emoções fortes, e decido fazê-lo tornando-me atriz. Se o meu propósito for acabar com a fome, posso decidir tornar-me cozinheira e comprimir a minha missão alimentando uma pessoa de cada vez.

O nosso propósito é sempre maior do que uma só profissão. Desafio-vos a pensar no seguinte: Qual é o vosso propósito? O que é que vos move? Será que o vosso trabalho está alinhado com o vosso propósito? Se não, talvez esteja na hora de mudar.

Zenklub

Zenklub

Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas tomem controlo da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no nosso website poderá consultar um psicólogo por vídeo-chamada, esteja onde estiver. São mais de 30 psicólogos a um clique de distância.
Zenklub

comentários