Queria começar pela Uniplaces. Fala-nos um bocado sobre o projecto. Como é que correu o ano e o que é que esperam alcançar em 2018?

A Uniplaces é um marketplace de alojamento universitário. Queremos ser uma referência de alojamento para estudantes por todo o mundo. Para que isso se torne cada vez mais uma realidade, apostamos em oferecer um excelente produto, a nossa plataforma, e garantir a melhor experiência de alojamento possível, tanto para os estudantes como para os nossos senhorios.

Quanto a números, neste momento somos uma família de 140. A grande maioria trabalha a partir do nosso escritório em Lisboa. As restantes equipas estão espalhadas por algumas das maiores cidades europeias, nomeadamente Madrid, Barcelona, Milão, Roma, Berlim e Londres. Em 2017 colocámos quase 20.000 estudantes em alojamentos Uniplaces, gerando mais de 50 M€ em rendas para os nossos senhorios.

Em 2018 queremos duplicar o valor de rendas gerado, ultrapassando a fasquia dos 100 M€ e consolidando a liderança nos nossos principais mercados: Espanha, Itália e Portugal.

Em termos de equipa, sei que 2017 foi um ano de algumas mudanças.

É verdade. Temos um novo CMO e um novo CFO, por exemplo. Estamos muito contentes com toda a gente que se juntou à equipa.

Sempre que a equipa acolhe novos elementos, é algo que encaramos com enorme sentido de responsabilidade. Sabemos perfeitamente que o sucesso do projeto depende essencialmente das pessoas que lhe dão vida. Não só numa perspetiva individual, ou técnica, mas principalmente na forma como se complementam, em equipa, no seu todo.

Pegando na questão da complementaridade. Como é que a garantem?

Diria que o essencial é conhecermo-nos o melhor possível. Não só uns aos outros, como a nós próprios. É importante que cada um saiba exatamente qual o seu espaço e o seu papel dentro da organização.

Com isso em mente, usam alguma estratégia ou ferramenta em particular?

Bem, para começar temos a “sorte”- passe a expressão – de poder contar com a melhor equipa de People & Culture do mundo. Fazem um excelente trabalho.

Quanto a ferramentas… Investimos muito em Coaching por exemplo, especialmente para trabalharmos questões de liderança. Situational leadership por exemplo, em que se simula vários cenários de equipa e tentamos perceber a dinâmica emocional de todos os ângulos.

Fizemos alguns estudos de personalidade também, mesmo entre nós fundadores. Recomendo. Aprendemos imenso sobre nós próprios e ajudou-nos a delinear, com pés e cabeça, a forma como devemos trabalhar uns com os outros. Autoconhecimento é importantíssimo.

Por exemplo?

Usando o caso dos fundadores. Temos perfis diferentes e portanto é natural que trabalhemos todos de forma diferente. Foi preciso definir uma estratégia para que nos possamos adaptar ao “estilo” de cada um.

Uns preferem comunicar verbalmente e mesmo que quisessem não conseguiriam por no papel tudo aquilo que querem dizer. Outros preferem escrever, porque não gostam de responder “ao minuto”. Uns preferem ler textos organizados por pontos, outros em texto corrido. Se alguns não receberem antecipadamente o plano de trabalhos de uma reunião, a reunião vai render zero. Com outros funciona precisamente ao contrário: regem-se tanto pelo plano de trabalhos que mais vale entrarem na sala de cabeça “limpa”, para poderem reagir à medida que os assuntos surgem e explorar mais o lado criativo.

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Pensando um bocado na tua experiência no que diz respeito à liderança. Que importância atribuis a fatores emocionais?

Não vou dizer que é tudo, porque a performance “técnica”, por assim dizer, também é um grande motor de inspiração. Mas é quase tudo. Se queremos fomentar um espírito de equipa, um sentido de missão, os fatores emocionais têm uma enorme influência.

A inteligência emocional é algo para o qual olhamos atentamente e algo no qual investimos proactivamente. Já deixou de ser um mito. Não só pode ser trabalhada como os resultados são evidentes.

Fala-se muito sobre missões e sentido de missão, mas muitas vezes não passam de uma frase num papel. Como é que se põe uma missão em prática?

Dizem que uma boa missão é aquela que é melhor comunicada, mesmo que nalguns casos seja apenas uma frase num papel. Pensando na perseguição de uma missão, há dois aspetos que acho fundamentais: boa comunicação e boa liderança.

Porquê? Porque mesmo havendo uma boa comunicação não vale a pena pensar em perseguir uma missão sem uma boa equipa, e sem boa liderança não há boas equipas.

Depois temos o bem-estar, quase como um pano de fundo. O bem-estar é condição indispensável para que possamos explorar o nosso potencial. É evidente. São vários os casos de empresas que afundam, ou levantam voo, por questões relacionadas com a cultura que fomentam e o bem-estar da equipa. Quando digo bem-estar, digo tanto físico como emocional, que é igualmente importante.

O que é que fazem pelo bem-estar dos vossos Uniplacers?

Dividindo naquelas duas categorias que referi, e começando pelo bem-estar físico. Oferecemos massagens, tentamos promover uma boa alimentação, temos clubes de corrida por exemplo, e parcerias com ginásios, entre outras iniciativas.

Quanto ao aspecto emocional, temos a parceria convosco, claro, Zenklub, que lhes dá acesso a profissionais de Coaching, de Psicologia, ou Mindfulness por exemplo. Fazemos retiros de equipa também, trimestrais, e acima de tudo tentamos criar um espírito de acessibilidade e entreajuda.

Sabemos que temos responsabilidade sobre o bem-estar de toda a equipa, pela relevância que o trabalho assume nas vidas deles, mas sabemos também que partilhamos essa responsabilidade com os próprios. Não podemos obrigar ninguém a comer melhor, fazer exercício ou usar o Zenklub.. (Risos.) Nem queremos. Criamos condições para que isso aconteça, mas a iniciativa tem que partir dos próprios. De dentro para fora. Contra mim falo, que devia fazer bem mais pelo meu bem-estar.. (Risos.)

Já que falas nisso… O que é que fazes pelo teu bem-estar? Qual é o teu escape?

Padel e Futebol principalmente, que me ajudam a desligar o piloto automático. Adorava gostar de correr também, mas não é para mim. Ando a experimentar boxe e kickboxing, para ver se escolho um dos dois. Não tenho tido tempo para muito mais, apesar de dormir pouco.

Trabalhei com um Coach também. Gostei imenso. Que mais? Tento viajar uma vez por trimestre pelo menos. Fins-de-semana a dois com a Flávia, a minha mulher, ou uma semana entre amigos por exemplo.

O teu casamento tem um papel importante no teu bem-estar?

Claro que sim. A vida de uma startup é uma montanha russa. Constante mutação, constante incerteza, nunca sabemos como será o próximo ano, o próximo mês, a próxima semana.

O meu casamento é a minha âncora. É o que me impede de andar à deriva com a corrente.

Já falámos sobre o futuro da Uniplaces, mas e o futuro do Miguel Amaro?

Diria que até certo ponto são inseparáveis. Na minha visão, o meu principal projecto profissional será sempre a Uniplaces, pelo menos a curto ou médio prazo. Mas sim, vejo imensas oportunidades. Quem sabe… Não quero fazer previsões a vinte anos.

Tenho especial interesse na tecnologia de blockchain, estou envolvido em vários projectos nessa área, e recentemente tornei-me sócio da Shilling Capital, curiosamente os primeiros investidores da Uniplaces.

Queria acabar com a pergunta que poucos CEOs de 29 anos querem ouvir: Filhos, estão nos planos?

Já sabia… (Risos.) Estão nos planos, claro que sim.

Tenho um “filho” que está a meio da sua adolescência. Chama-se Uniplaces. (Risos.) Quando se tornar um homem, daqui a dois aninhos, voltas a convidar-me para o Sair da Casca e podes fazer essa pergunta outra vez.

Zenklub

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Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas tomem controlo da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no nosso website poderá consultar um psicólogo por vídeo-chamada, esteja onde estiver. São mais de 30 psicólogos a um clique de distância.
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