Quantas vezes se deparou, ao longo da sua vida, com situações nas quais não conseguiu estabelecer os seus limites, tornando-se vítima de humilhação e abuso consciente ou inconsciente?

Quantas vezes deixou que fossem os outros a conduzir as rédeas da sua vida e não teve a força necessária para colocar o pé no travão e simplesmente dizer “não” ou “basta” em voz alta?

Qual o padrão de relacionamento vigente na sua árvore genealógica? Qual o tipo de autoridade exercida? Reconhece algum tipo de abuso?

Sabemos que os limites começam na infância e que conseguimos percebê-los na relação com os nossos pais e irmãos, assim como no estabelecimento de laços com as nossas primeiras figuras de identificação: educadores e cuidadores. É frequente verificar como as crianças expressam dificuldades em identificar o seu espaço e uma clara incapacidade em criar zonas de protecção, de respeito e de limites com o “outro”.

Também se diz que colocar limites internos e externos é sinónimo de amor e que os limites são fundamentais para o estabelecimento de relações saudáveis e equilibradas. Impera a necessidade de reflectirmos sobre os limites que colocamos aos nossos filhos, aos nossos amigos, aos nossos colegas de trabalho e superiores, aos nossos pais e em nós próprios nas relações com os mesmos. Sermos firmes e coerentes nas nossas tomadas de decisão e na forma como comunicamos os nossos valores e a mensagem daquilo que somos, pensamos e sentimos, assim como observar-nos com assiduidade na relação connosco e com o outro, formam parte de algumas das estratégias que podem ser úteis para criar a tal barreira entre nós e os outros, de forma a salvaguardar o respeito pela nossa integridade e pela liberdade de expressão do nosso “ser”.

Na Psicogenealogia e no trabalho que desenvolvo a partir das árvores genealógicas e da recolha de dados sobre as histórias de família, tenho vindo a detetar inúmeras situações de abuso que são caladas, escondidas e mantidas em segredo no cofre da árvore. Tudo aquilo que é escondido e abafado na história de uma árvore genealógica, acaba por se manifestar mais tarde, numa geração futura, de forma intensa e muitas vezes inexplicável. A pessoa que me consulta normalmente diz sentir-se presa numa rede, numa jaula ou numa prisão e não consegue de forma alguma libertar-se deste contexto de sofrimento e angustia. Diz sentir também uma profunda impotência por ser incapaz de construir relações estáveis e “não tóxicas”, tanto a nível familiar e social, como profissional. É por isso fundamental identificar que podemos estar perante a armadilha da nossa árvore e que o tipo de relação que estabelecemos é determinado por um padrão de abuso repetitivo e por uma lealdade inconsciente a uma árvore doente, abusiva e abusada.

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Chegamos então ao Mobbing ou Bullying Laboral que define um tipo especifico de assédio e de mau-trato, de forma intencional e sistemática no contexto laboral, sob a forma de comportamentos subversivos, assédio moral, descriminação, humilhação, manipulação ou de chantagem, por chefias ou pelos colegas. A pessoa é vítima de maus-tratos diretos ou indiretos de forma repetitiva e consistente que põem em causa a sua dignidade, integridade física e psicológica, desencadeando consequentemente estados de ansiedade generalizada, quadros clínicos de esgotamento, burnout e até depressão. Na maioria das vezes, a pessoa não consegue desenvolver estratégias eficazes para travar esse tipo de relacionamento abusivo: sente medo, terror ou mesmo pânico quando tem de enfrentar a situação e os “bullies” e acaba por deixar que estes a descriminem e forcem a agir de forma desconsiderada, anti-ética e contra os seus principais valores morais.

Comece por observar-se nos vários contextos relacionais da sua vida e identifique qual o seu padrão de relacionamento predominante. Consegue estabelecer barreiras com as pessoas com quem interage diariamente? O que sente quando essas barreiras são quebradas? Que estratégias utiliza para colocar esses limites? Como é que se relaciona com os seus colegas e superiores no contexto de trabalho? Sente-se respeitado? Sente-te valorizado? Quais os motivos que o fazem permanecer num local de trabalho no qual te sentes descriminado?

Diga “stop” aos abusos! Estabeleça os seus limites! Be free!

Para informações adicionais sobre este tema consulte o Artigo 29 do Código do Trabalho. Comunique o seu caso à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) ou à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Carolina Birr

Carolina Birr

Sou psicóloga clínica, especialista em Inteligência Emocional e Criativa. Desde muito cedo que me interessei profundamente pela natureza do ser-humano. Foco-me no processo de desenvolvimento pessoal, para que expressem criativamente o vosso potencial, em todas as áreas significativas das vossas vidas.
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